Coronavírus: Municípios têm o dever de planejar, acelerar e divulgar vacinação

Vacinas em freezers ou geladeiras, aguardando o que? – Não se pode perder tempo em pandemia.

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José Roberto Dantas Oliva(*)

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As vacinas contra o famigerado coronavírus, o SARS-CoV-2, causador da atual pandemia de Covid-19, estão chegando aos municípios. É onde moram as pessoas, onde são vacinadas e onde, se confia, serão imunizadas. Ao contrário do que se poderia esperar, porém, muitos (talvez a maioria) não planejaram, dão resposta lenta para um vírus que contagia, adoece e mata de forma extremamente eficaz e rápida, e não estão informando a população com a clareza e intensidade necessárias sobre quem está sendo vacinado.

Não é o momento de deixar vacinas em freezers ou geladeiras. Elas precisam ser aplicadas. São esperança de redenção sanitária e – até! – econômica. Negacionistas e gestores ineptos atentam contra a saúde pública e são aliados do vírus. Cada dia de atraso na vacinação significa novas vidas perdidas.

Quantas doses chegaram e quantas já foram utilizadas? – Não se sabe.

Qual a ordem de prioridades, como se cadastrar, quem foi vacinado e quem – sem furar fila – será, qual a previsão de vacinação de tataravós, trisavós, bisavós, avós, mães, pais, pessoas em situação de maior vulnerabilidade, enfim, quando chegará a vez de seus entes queridos e a sua própria?

Eu, você, todos nós temos o direito de ter acesso fácil a respostas imediatas dessas e outras questões. E não estamos tendo, lamentavelmente.

A imprensa cumpre seu papel. Enquanto é alvo de achincalhes, noticia, em regra com isenção, o que realmente acontece. Aberta a receber números e notícias favoráveis, a noticiar o que é utilidade pública neste momento trágico, não é suficientemente abastecida para tanto.

Há algumas ilhas positivas. O Estado de São Paulo, por exemplo, criou um “Vacinômetro”. Por intermédio dele sabe-se que até a atualização das 10h05min de 05.02.2021, 682.320 pessoas haviam sido vacinadas[1]. Possível saber os números de cada uma das 636 cidades que iniciaram a vacinação. Ora, se são 645 municípios paulistas, 9 deles então, absurdamente, nem sequer teriam começado a vacinar? – Ou apenas não lançaram os dados?

Chega de negar a ciência e de minimizar o poder destrutivo do vírus, que já matou quase 230 mil brasileiros. Basta de subestimá-lo. As vacinas já têm crédito, novas poderão surgir e chegar a qualquer momento, temos planos nacional – tardio, é verdade! – e estaduais de vacinação, enfim, que tal os municípios agora cumprirem seu dever de casa e mostrar eficiência?

Planos Municipais, aceleração e divulgação da imunização já!

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(*) Advogado, Juiz do Trabalho aposentado, mestre em Direito das Relações Sociais pela PUC-SP, professor, jornalista e radialista.

[1] Disponível em: https://www.saopaulo.sp.gov.br/. Acesso em 5 Fev 2021.

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